quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Detalhes do Robertão

Detalhes
Roberto Carlos

Não adianta nem tentar me esquecer
Durante muito tempo em sua vida
Eu vou viver

Detalhes tão pequenos de nós dois
São coisas muito grandes pra esquecer
E a toda hora vão estar presentes
Você vai ver

Se um outro cabeludo aparecer na sua rua
E isto lhe trouxer saudades minhas
A culpa é sua

O ronco barulhento do seu carro
A velha calça desbotada ou coisa assim
Imediatamente você vai lembrar de mim

Eu sei que um outro deve estar falando ao seu ouvido
Palavras de amor como eu falei, mas eu duvido!
Duvido que ele tenha tanto amor
E até os erros do meu português ruim
E nessa hora você vai lembrar de mim

A noite envolvida no silêncio
Do seu quarto
Antes de dormir você procura
O meu retrato
Mas da moldura não sou eu quem lhe sorri
Mas você vê o meu sorriso mesmo assim
E tudo isso vai fazer você lembrar de mim

Se alguém tocar seu corpo como eu
Não diga nada
Não vá dizer meu nome sem querer
À pessoa errada

Pensando ter amor nesse momento
Desesperada você tenta até o fim
E até nesse momento você vai
Lembrar de mim

Eu sei que esses detalhes vão sumir
Na longa estrada
Do tempo que transforma todo amor
Em quase nada

Mas "quase" também é mais um detalhe
Um grande amor não vai morrer assim
Por isso, de vez em quando você vai
Vai lembrar de mim

Não adianta nem tentar me esquecer
Durante muito tempo em sua vida
Eu vou viver
Não, não adianta nem tentar
Me esquecer

Composição: Erasmo Carlos / Roberto Carlos


P.S: E o Roberto falando comigo, só para variar, músicas que falam

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Eu não frequento a igreja



Igreja, religião e espiritualidade são assuntos muito próximos e ao mesmo tempo extremamente diferentes. Certa vez uma amiga concluiu que eu era mais espiritualizada que muita beata de igreja por aí. Não estou me gabando disso não, foi só um comentário a meu respeito que achei interessante.
Há mais ou menos três anos eu estava assistindo à missa em comemoração ao aniversário de Santa Rita, para quem não sabe Santa Rita sofreu muito durante sua vida: ela queria ser freira, mas por pressão da família, tendo em visa o fato de ser filha única, acabou casando-se com um homem que a espancava, estuprava, enfim, a violentava de diversas maneiras, mas ela, sempre serva dos bons costumes nunca cogitou separar-se dele, claro que tem muito mais, contudo essa é a parte que importa no momento.
Dentro desse contexto, o padre, em uma comunidade simples, foi no mínimo infeliz, ao comentar a vida sofrida que a santa teve, não por falar da santa, mas por dizer que hoje em dia as mulheres não são lutadoras, que tudo é motivo para separar, Santa Rita apanhava do marido e nunca quis separar, hoje em dia o marido fala mais alto e a mulher já quer voltar para a casa dos pais, as mulheres tem que ter Santa Rita como exemplo.
Ao ouvir um disparate desse vindo do padre a minha vontade foi levantar e ir embora, mas para não causar confusão fiquei lá escutando as sandices de alguém que não mede as palavras, não para para pensar que algumas ou muitas que estavam escutando o sermão da noite passam por situações semelhantes e estavam sendo encorajadas a continuar apanhando, sendo oprimidas, violentadas, e caladas que é para ser exemplo de cristã. Agora me diga, de que vale ser santa depois de morta?
Outro dia fui a um culto aberto para visitantes e o pregador dizia que você que ainda não acordou para a vida e fica aí na macumba, nós somos a salvação! Venha para a nossa igreja, essa história de adorar santos não tá com nada e por aí foi todo o texto de preconceito e intolerância. Mais uma vez não me levantei e fui embora para não causar ainda mais confusão. E eu pergunto, não é Deus a salvação?
 E dentre vários outros eventos marcados por "deslizes" fui a uma confraternização de uma igreja e durante uma conversa com os presentes, a pessoa que falava entrou no assunto aborto, pensei que aí ele ia se perder, mas não deu tempo, antes do aborto ele criticou o pensamento de abortar, a rejeição que as crianças sofrem antes mesmo de nascer, existem estudos que comprovam que as crianças sentem ainda na barriga toda essa rejeição, crianças que nascem e que muitas vezes são abandonadas, isso tudo causa um transtorno para a sociedade.
TRANSTORNO PARA A SOCIEDADE? E É ISSO? SÓ? A vida dessas crianças, que quando conseguem crescer, tornam-se adultos cheios de dificuldades e problemas de relacionamentos ainda referidos à rejeição que sofreram, adultos talvez com problemas relacionados a drogas e violência, adultos filhos da superação que carregam cicatrizes, enfim, uma infinidade de adultos, cada um com a sua adversidade, e são só um transtorno para a sociedade?
 Prefiro seguir a minha vidinha de errante a ser hipócrita e acreditar que por estar na igreja a minha alma está salva. De adianta ir à igreja e só ajudar o próximo se ele for da igreja? De que adianta ser da igreja e não ter tempo para a família por estar envolvido demais com as atividades da igreja? De que adianta ser da igreja e não conseguir enxergar que todos são iguais, independentemente de suas roupas, credo, cor ou seja lá o que for?

P.S: Esse foi só mais um texto desabafo, não tenho nada contra a igreja, acho a igreja muito importante para a base de um cidadão. O ponto aqui é a viseira que alguns colocam usando a igreja como desculpa. Em nome da igreja vale matar, é preciso morrer, tem que calar. NÃO!

terça-feira, 24 de novembro de 2015

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Legalzinha

Eu conversando com minha mãe, de repente ela diz:
"- Kézia, não é porque você é minha filha não, mas você até que é legalzinha"

Eu tô rindo até hoje disso rsrsrs

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Miopia

Ele procurava um olhar para fixar
Eu olhava, mas não via
Ele fixou o olhar no meu, mas eu não
Tirei os óculos e fiquei com a visão desfocada dos míopes.



P.S.: Isso foi em uma aula da faculdade, Administração Pública, eu briguei com esse professor. Engraçado que eu me lembro dessa aula específica, ele tinha um ar de desespero, tentando chamar a atenção da turma e ela toda afundada em pcs, e celulares. Era um silêncio ensurdecedor, ele andava de um lado para o outro procurando alguém, até que me encontrou, eu estava sem óculos e provavelmente a quilômetros dali, só não tive coragem de pegar o celular para não ficar tão na cara a falta de interesse no que ele dizia. Ele confundiu o olhar perdido com olhar interessado e a aula passou a ser direcionada para mim. De certa forma ele conseguiu a minha atenção, depois de um tempo eu até escutava o que ele falava, no fim da aula eu estava até participando. Vai entender, né?!

domingo, 8 de novembro de 2015

Sobre egoísmo e solidão



Pegar ônibus é uma coisa quase surreal, vira rotina, o mesmo motorista que espera você correndo com duas bolsas, uma sacola e o guardachuva –que você, em vão, tenta fechar- te olha com um olhar que transpassa o seu ser, você sorri, sem graça, agradece e diz esbaforida “Boa tarde!”, ele balança a cabeça sem te olhar e não responde.
E é rotina, não é projeto, é só mais um processo do dia. As mesmas pessoas quase que nos mesmos lugares, eu sei onde trabalham, eles conhecem meu crachá, mas ninguém se fala, sem cumprimento, sem abano de cabeças, sem gentilezas.
Tem um rapaz, descobri que ele é novo concursado, veio do Rio, entra falando ao telefone e quando desço ele ainda está falando ao telefone, todo dia é assim, tenho medo de qualquer dia ele errar o lugar e sentar em cima de mim por engano.
Esses dias ele conversava com a Vanessa (sabe Deus quem é Vanessa), ele falava sobre o quanto algumas pessoas são invisíveis “- Vanessa, a tia fulana não era vista, não vivia, só via a vida dos outros passar! Não teve nada, mas era a pessoa que eu queria ligar para contar do concurso, ah, Vanessa, como ela ficaria feliz...”

Por aí foi, Vanessa para cá, poxa Vanessa para lá. Daí ele emendou num filme que era bom “fico emocionado de lembrar aquela cena específica”. Antes de eu descer ele disse “ – Ah, Vanessa, quando ele vira e tudo vem abaixo, eu chorei, foi uma mudança de fase, ele tendo que deixar tudo para trás, nossa, como eu chorei, Vanessa, eu não reparei, você chorou nessa hora?”
E eu pensei “Pobre Vanessa!”, desci pensando no tamanho do egoísmo desse cara, no choro que ele não viu, na camisa que agora ele é quem lava porque a tia Fulana não está mais aqui e ele agora sozinho no ônibus, sem tempo, e a Vanessa lá, escutando e talvez chorando.



Qual era mesmo o nome do filme? Ele não disse o nome, guardou para ele e talvez para a Vanessa.