segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Eu não frequento a igreja



Igreja, religião e espiritualidade são assuntos muito próximos e ao mesmo tempo extremamente diferentes. Certa vez uma amiga concluiu que eu era mais espiritualizada que muita beata de igreja por aí. Não estou me gabando disso não, foi só um comentário a meu respeito que achei interessante.
Há mais ou menos três anos eu estava assistindo à missa em comemoração ao aniversário de Santa Rita, para quem não sabe Santa Rita sofreu muito durante sua vida: ela queria ser freira, mas por pressão da família, tendo em visa o fato de ser filha única, acabou casando-se com um homem que a espancava, estuprava, enfim, a violentava de diversas maneiras, mas ela, sempre serva dos bons costumes nunca cogitou separar-se dele, claro que tem muito mais, contudo essa é a parte que importa no momento.
Dentro desse contexto, o padre, em uma comunidade simples, foi no mínimo infeliz, ao comentar a vida sofrida que a santa teve, não por falar da santa, mas por dizer que hoje em dia as mulheres não são lutadoras, que tudo é motivo para separar, Santa Rita apanhava do marido e nunca quis separar, hoje em dia o marido fala mais alto e a mulher já quer voltar para a casa dos pais, as mulheres tem que ter Santa Rita como exemplo.
Ao ouvir um disparate desse vindo do padre a minha vontade foi levantar e ir embora, mas para não causar confusão fiquei lá escutando as sandices de alguém que não mede as palavras, não para para pensar que algumas ou muitas que estavam escutando o sermão da noite passam por situações semelhantes e estavam sendo encorajadas a continuar apanhando, sendo oprimidas, violentadas, e caladas que é para ser exemplo de cristã. Agora me diga, de que vale ser santa depois de morta?
Outro dia fui a um culto aberto para visitantes e o pregador dizia que você que ainda não acordou para a vida e fica aí na macumba, nós somos a salvação! Venha para a nossa igreja, essa história de adorar santos não tá com nada e por aí foi todo o texto de preconceito e intolerância. Mais uma vez não me levantei e fui embora para não causar ainda mais confusão. E eu pergunto, não é Deus a salvação?
 E dentre vários outros eventos marcados por "deslizes" fui a uma confraternização de uma igreja e durante uma conversa com os presentes, a pessoa que falava entrou no assunto aborto, pensei que aí ele ia se perder, mas não deu tempo, antes do aborto ele criticou o pensamento de abortar, a rejeição que as crianças sofrem antes mesmo de nascer, existem estudos que comprovam que as crianças sentem ainda na barriga toda essa rejeição, crianças que nascem e que muitas vezes são abandonadas, isso tudo causa um transtorno para a sociedade.
TRANSTORNO PARA A SOCIEDADE? E É ISSO? SÓ? A vida dessas crianças, que quando conseguem crescer, tornam-se adultos cheios de dificuldades e problemas de relacionamentos ainda referidos à rejeição que sofreram, adultos talvez com problemas relacionados a drogas e violência, adultos filhos da superação que carregam cicatrizes, enfim, uma infinidade de adultos, cada um com a sua adversidade, e são só um transtorno para a sociedade?
 Prefiro seguir a minha vidinha de errante a ser hipócrita e acreditar que por estar na igreja a minha alma está salva. De adianta ir à igreja e só ajudar o próximo se ele for da igreja? De que adianta ser da igreja e não ter tempo para a família por estar envolvido demais com as atividades da igreja? De que adianta ser da igreja e não conseguir enxergar que todos são iguais, independentemente de suas roupas, credo, cor ou seja lá o que for?

P.S: Esse foi só mais um texto desabafo, não tenho nada contra a igreja, acho a igreja muito importante para a base de um cidadão. O ponto aqui é a viseira que alguns colocam usando a igreja como desculpa. Em nome da igreja vale matar, é preciso morrer, tem que calar. NÃO!

Um comentário:

Gustavo disse...

Vivemos na ilusão.