sábado, 14 de fevereiro de 2015

Sobre educação, simpatia e insistência

Desde novembro que eu pego o mesmo ônibus praticamente todos os dias.

É sempre a mesma coisa:
Tem uma fila de ônibus parados na parada, eu avisto o meu, saio correndo, ele está no final da fila, quase que parado na parada anterior.
Chego meio esbafurida, olho para o motorista e digo boa tarde, ele nem olha para mim, faço o mesmo com o cobrador, esse até que olha para mim, mas nunca responde. Eu levanto a cabeça e avisto o único lugar ainda vazio, sento, coloco meus fones de ouvido e finalmente o ônibus chega na parada.

E foi assim durante todas as minhas férias, algumas coisas com o tempo foram mudando.
Algumas pessoas resolveram correr junto comigo em vez de esperar na parada, a briga pelo único lugar vazio ficou acirrada.
Um rapaz que já está no ônibus quando eu entro passou a guardar o lugar para mim, foi engraçado a primeira vez que ele fez isso. Ele saiu do lugar dele que fica na última fileira olhou para mim, apontou para a cadeira e disse "Aqui! Corre!". Bem, eu sorri e corri, agradeci e ele disse "não tem de quê". E virou rotina isso nas últimas duas ou três semanas.

Só uma coisa não mudou, entro, digo "Boa tarde" e como resposta? cri, cri, cri

Até que semana passada, última semana das férias, eu saí correndo, agora com toda a parada correndo atrás de mim, entrei no ônibus, disse "Boa tarde!" e ouvi um "Boa tarde" de volta, assim, de repente. Com o cobrador exatamente a mesma coisa. Eu balancei a cabeça positivamente e abri um sorriso.

Acho que eles estavam pressentindo que as férias estavam no fim.

Agora eu não pego mais o mesmo ônibus, vou direto para a faculdade.

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