quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Miopia

Ele procurava um olhar para fixar
Eu olhava, mas não via
Ele fixou o olhar no meu, mas eu não
Tirei os óculos e fiquei com a visão desfocada dos míopes.



P.S.: Isso foi em uma aula da faculdade, Administração Pública, eu briguei com esse professor. Engraçado que eu me lembro dessa aula específica, ele tinha um ar de desespero, tentando chamar a atenção da turma e ela toda afundada em pcs, e celulares. Era um silêncio ensurdecedor, ele andava de um lado para o outro procurando alguém, até que me encontrou, eu estava sem óculos e provavelmente a quilômetros dali, só não tive coragem de pegar o celular para não ficar tão na cara a falta de interesse no que ele dizia. Ele confundiu o olhar perdido com olhar interessado e a aula passou a ser direcionada para mim. De certa forma ele conseguiu a minha atenção, depois de um tempo eu até escutava o que ele falava, no fim da aula eu estava até participando. Vai entender, né?!

domingo, 8 de novembro de 2015

Sobre egoísmo e solidão



Pegar ônibus é uma coisa quase surreal, vira rotina, o mesmo motorista que espera você correndo com duas bolsas, uma sacola e o guardachuva –que você, em vão, tenta fechar- te olha com um olhar que transpassa o seu ser, você sorri, sem graça, agradece e diz esbaforida “Boa tarde!”, ele balança a cabeça sem te olhar e não responde.
E é rotina, não é projeto, é só mais um processo do dia. As mesmas pessoas quase que nos mesmos lugares, eu sei onde trabalham, eles conhecem meu crachá, mas ninguém se fala, sem cumprimento, sem abano de cabeças, sem gentilezas.
Tem um rapaz, descobri que ele é novo concursado, veio do Rio, entra falando ao telefone e quando desço ele ainda está falando ao telefone, todo dia é assim, tenho medo de qualquer dia ele errar o lugar e sentar em cima de mim por engano.
Esses dias ele conversava com a Vanessa (sabe Deus quem é Vanessa), ele falava sobre o quanto algumas pessoas são invisíveis “- Vanessa, a tia fulana não era vista, não vivia, só via a vida dos outros passar! Não teve nada, mas era a pessoa que eu queria ligar para contar do concurso, ah, Vanessa, como ela ficaria feliz...”

Por aí foi, Vanessa para cá, poxa Vanessa para lá. Daí ele emendou num filme que era bom “fico emocionado de lembrar aquela cena específica”. Antes de eu descer ele disse “ – Ah, Vanessa, quando ele vira e tudo vem abaixo, eu chorei, foi uma mudança de fase, ele tendo que deixar tudo para trás, nossa, como eu chorei, Vanessa, eu não reparei, você chorou nessa hora?”
E eu pensei “Pobre Vanessa!”, desci pensando no tamanho do egoísmo desse cara, no choro que ele não viu, na camisa que agora ele é quem lava porque a tia Fulana não está mais aqui e ele agora sozinho no ônibus, sem tempo, e a Vanessa lá, escutando e talvez chorando.



Qual era mesmo o nome do filme? Ele não disse o nome, guardou para ele e talvez para a Vanessa.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Desejo um caderno em branco!

 Antes de toda e qualquer coisa, eu te desejo um caderno em branco.
Para recomeçar.
Para guardar as lembranças boas.
Para planejar o futuro.
Para colocar em prática o agora.
Para fazer o que você quiser!

Eu te ajudo a fazer o caderno mais lindo de todos, com uma vida sempre cheia de alegrias e realizações.
É só você querer e acreditar.




 Amor para recomeçar
Barão Vermelho

Eu te desejo não parar tão cedo
Pois toda idade tem prazer e medo
E com os que erram feio e bastante
Que você consiga ser tolerante
Quando você ficar triste
Que seja por um dia, e não o ano inteiro
E que você descubra que rir é bom,
mas que rir de tudo é desespero

Desejo que você tenha quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor pra recomeçar
Pra recomeçar

Eu te desejo, muitos amigos
Mas que em um você possa confiar
E que tenha até inimigos
Pra você não deixar de duvidar
Quando você ficar triste
Que seja por um dia, e não o ano inteiro
E que você descubra que rir é bom,
mas que rir de tudo é desespero

Desejo que você tenha quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor pra recomeçar
Pra recomeçar

Eu desejo que você ganhe dinheiro
Pois é preciso viver também
E que você diga a ele, pelo menos uma vez,
Quem é mesmo o dono de quem.


Desejo que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor pra recomeçar
Eu desejo que você tenha quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor pra recomeçar.
Pra recomeçar.

sábado, 18 de julho de 2015

Eu não uso shorts!


Eu estava olhando as fotos uma blogueira e concluí "Ela usa bastante short".
Claro que não ficou ficou por aí, fui me analisar diante da constatação sobre a moça.
Não, eu não uso short. Para não ser radical e dizer que não uso nunca, eu uso em casa, e tenho um que vou à padaria às vezes, e ao parque.
Maaaas, porrr queee eu não uso short? Eu me peguei fazendo essa pergunta para mim mesma.

Acho que é um misto de várias coisas. A insegurança comigo mesma talvez seja a principal delas. Eu fui uma criança gorda, sempre tive perna grossa, conforme fui crescendo fui emagrecendo, mas as pernas continuaram grandes, isso para mim é complicado, talvez eu me veja maior do que realmente sou, mas é só talvez mesmo. O fato é que de short me vejo como uma daquelas mulheres frutas (absolutamente nada contra elas) e eu não gosto do que eu vejo.

Outro fato é que, exatamente por me ver como fruta, eu fui ficando meio que com medo de sair na rua de short, sozinha então pior ainda. E vem junto todo esse machismo opressor em que as mulheres são vistas como pedaços de carne feitos para satisfazer a vontade dos homens que não podem e nem sabem controlar os seus instintos.

Bem, acho que falar sobre o "problema" é o primeiro passo para conseguir superá-lo.

É muita coisa para ser mudada, em mim e na sociedade. É mudança demais para ser mudada sozinha.
Tem que começar por algum lugar, que seja pelo short! 

segunda-feira, 13 de julho de 2015

~~ E de repente o vinho virou água, e a ferida não cicatrizou, e o rio por si sujou e no terceiro dia ninguém ressuscitou~~

sábado, 18 de abril de 2015

segunda-feira, 9 de março de 2015

Equidade

Equidade: tem muito mais a ver com justiça do que com igualdade.

Durante uma aula sobre planejamento estratégico entramos nessa questão. (sabe Deus como, entramos)
Não é tratar mulheres como homens, a questão é tratar mulheres como mulheres e homens como homens.
A mulher é sim fisicamente mais fraca e mais frágil que o homem.
Não dá para colocá-la em um trabalho braçal e pedir que ela renda e dure o mesmo tempo que um homem.

Gennnnnte, para mim é inconcebível um homem ficar de braços cruzados vendo uma mulher trocar o pneu de um carro só para provar que não são só direitos, mas deveres iguais.
Não é só uma questão de gentileza um homem trocar o pneu, é uma questão física, ele é fisicamente mais apto a agir naquela situação.

Eu não estou dizendo que o homem é inferior a mulher, cada um tem o seu lugar e ambos se completam.

Não defendo queimar sutiã, não quer usar, não usa.

O que não é justo é a coisificação da mulher, que não tem o direito de não usar o sutiã porque corre o risco de ser atacada na rua, é observada pelas próprias mulheres, rotulada por pessoas e obrigada, mesmo que com uma violência psicológica, a vestir de volta o seu sutiã.


E para complementar esse texto, eu resolvi adicionar o comentário que o Gustavo fez que só mostra o quanto devemos somar para melhorar:

"O que eu acho que não faz muito sentido no feminismo é a história de as mulheres estarem buscando o direito de cometer os mesmo erros que os homens como, por exemplo, o de ser o garanhão da balada. Cada um tem o direito de ser livre e ficar com quem quiser, mas no momento em que você se apega a um modelo equivocado, no caso o da tal da coisificação, o generaliza, e homens e mulheres se tratam como meros objetos, acho que a coisa começa a retroagir ao invés de progredir; a coisificação é típica da escravidão.
Quanto a homens e mulheres serem diferentes, ontem eu ouvi a seguinte historinha: o que é melhor para fazer feijão, a água ou o fogo?? Homens e mulheres tem que se complementar, e o primeiro passo é parar com essa briguinha de quem é melhor que quem. Não tem como comparar, oras, tanto a água como o fogo são essenciais para que o feijão fique pronto.
Queria comentar, também, a história do pneu. Concordo que é praticamente obrigação de um homem ajudar uma mulher a trocar o pneu, mas não só a mulher, mas qualquer um que necessite de ajuda, como um idoso, por exemplo. O que acontece é que, em 90% dos casos, o homem "ajuda" a mulher apenas com o intuito de levá-la pra cama, como se fosse uma espécie de pagamento devido por ela. Essa questão é muito ampla e complicada...as pessoas deveriam ajudar umas as outras, de forma altruísta, o famoso dar sem esperar nada em troca. Mas o que na verdade reina, hoje em dia, é o puro egoísmo. "

O que não se pode explicar aos normais

Banda Catedral   Sobre o amor e o desamor, sobre a paixão Sobre ficar, sobre desejar, como saber te amar? Sobre querer, sobre entender, sem ...